O que faz um Clínico Geral?

Clínico geral – quem são, o que fazem e onde habitam? Parafraseando o filme “Animais Fantásticos e onde habitam”, do diretor Davis Yates, lanço a pergunta: você saberia definir o que faz um clínico geral?

Antes de aprofundar nossa conversa vale um esclarecimento que gera confusão em muita gente: todo médico é clínico geral? A resposta é não. Após a graduação de Medicina, que tem duração de 6 anos, recebemos o diploma de médico generalista. Este termo deve ser entendido como aquele médico que recebeu uma formação básica para as 4 grandes áreas da Medicina: clínica médica, pediatria, cirurgia geral e ginecologia/obstetrícia. Isso porque ao longo da faculdade fazemos diversas matérias teóricas e práticas que abordavam essas grandes áreas. De um modo geral, como médicos generalistas estamos aptos a trabalhar na atenção primária (postos de saúde) ou dando plantões em unidade de pronto atendimento, as famosas UPAS.

Então, qual é a diferença entre o médico generalista e o clínico geral? A diferença é que após terminada a graduação, o clínico geral se especializou por mais 2 anos no atendimento clínico de adultos através da residência médica, que é  uma espécie de pós graduação. Na residência de Clínica Médica o médico é submetido a uma extensa carga teórica e principalmente prática nos âmbitos hospitalar e ambulatorial para se especializar nas principais condições e doenças dos adultos. Isso permite que o clínico geral atue nos serviços de urgência, nas internações hospitalares, nas unidades de terapia intensiva e no atendimento em consultório.

Esclarecida a diferença entre o médico generalista e o clínico geral e como se dá a formação do clínico geral, agora você pode me perguntar: Quais doenças o clínico geral trata? Quando eu devo procurar um clínico geral e não partir direto para um especialista?

Pois bem, como já mencionado anteriormente, o clínico geral, ou clínico médico, recebe durante sua formação conhecimento para investigar e manejar as principais condições que afetam a saúde do adulto, reservando para o especialista aqueles casos de maior complexidade ou raropatias. É um equívoco bastante comum por parte dos pacientes procurar um cardiologista para tratar a Hipertensão Arterial, um endocrinologista para tratar a Diabetes, um neurologista para investigar uma dor de cabeça, e assim por diante. Citei apenas 3 condições, poderia citar várias outras,  mas todas elas são doenças e sintomas muito comuns no dia a dia que poderiam ser tranquilamente conduzidas por um bom clínico geral. Imagine um paciente que tenha todas essas doenças e talvez outras mais, o que lhe parece mais vantajoso: ter um médico para cada uma delas ou o único médico que possa avaliar todas em conjunto?

 Agora, para ficar mais claro a dança das especialidades médicas e o papel de cada uma delas, vamos usar um exemplo: Suponha que um paciente idoso perdeu involuntariamente 20Kg em 6 meses e procurou um clínico geral para investigar o quadro. O clínico suspeitou que pudesse ser um câncer e diante dessa suspeita iniciou toda a investigação diagnóstica para descobrir o local do tumor e até mesmo analisar se a doença encontra-se em fase inicial ou avançada. Porém, uma vez feito o diagnóstico, é mandatório que o paciente seja encaminhado para especialistas, neste caso, um oncologista e talvez também um cirurgião(se for um tumor ressecável). O paciente então seria acompanhado pelas 3 especialidades. O clínico geral seria responsável por acompanhar as outras doenças do paciente e manejar as complicações do tratamento do câncer; ao oncologista que, por sua vez, detém conhecimentos específicos do comportamento do câncer e das melhores terapias, caberia a escolha do tratamento, como qual modalidade de radio ou quimioterapia; e o cirurgião, por fim, seria responsável pela biópsia diagnóstica, cirurgia(se indicada) e complicações pós-operatórias.  

Diferentemente do que ocorre no Brasil, em muitos países da Europa já existe a cultura de valorizar o médico de formação generalista, por isso é comum os pacientes procurarem o atendimento de um clínico geral ou generalista,
ao invés de partir direto para a consulta com um especialista. Esta também é a ideia por trás da estrutura da Atenção Primaria à Saúde no Brasil, que ocorre no SUS, e que alguns convênios já começaram a adotar. Isto é, antes de consultar-se com o especialista, necessariamente o paciente deve ser avaliado pelo médico clínico geral ou pelo médico generalista. E acredite, em mais de 80% das vezes a demanda do paciente consegue ser resolvida sem necessidade de uma avaliação especializada.

É importante ressaltar também que muitas vezes o paciente não consegue discernir a qual órgão ou sistema se refere o sintoma que ele está sentindo. Quantas vezes a “dor de rim” é na verdade uma lombalgia secundária a um vício de postura? Quantas vezes a dor no peito que te faz procurar um cardiologista e fazer todos os testes cardiológicos possíveis, se trata, na verdade, de uma dor de origem psicogênica secundária a um quadro de ansiedade?

Não, não é obrigação do paciente saber disso. Afinal, nós médicos é quem recebemos formação para identificar e tratar sua dor, seja ela física ou emocional. Mas lembre-se que o clínico geral é o profissional que pode investigar, identificar e manejar sua queixa de forma ampla e competente, além de atuar como uma espécie de gerente/gestor do cuidado da sua saúde ao longo da vida, solicitando a avaliação e opinião do médico especialista apenas quando julgar necessário. 

Feitos os devidos esclarecimentos, fica então a sugestão de um novo olhar para o cuidado com a sua saúde. Se precisar de avaliação médica, seja para investigar um novo sintoma ou para acompanhar uma doença crônica, considere procurar um clínico geral.

 Clique aqui para agendar sua consulta!

Escrito por Dra. Amanda Salvo – CRMMG 65064 | RQE 50021